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As infecções genitais e a volta das DSTs


O curso pré-congresso sobre infecções genitais, que aconteceu na manhã de quinta-feira, abordou o cenário das infecções e os caminhos para prevenção e tratamento, além de chamar para uma reflexão: o olhar 360º para as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). Para Adriana Bittencourt Campaner, Mestre e Doutora em Tocoginecologia, que coordenou o curso, falar da importância desse olhar mais amplo no diagnóstico e no tratamento das DST está em linha com o atual cenário dessas doenças. “As DSTs estão voltando. Já temos   um aumento de 1.000% nos casos de sífilis”, destaca.

Uma nova abordagem em tratamento também esteve no discurso da ginecologista Iara Moreno Linhares, que apresentou a palestra:  Microbioma, Probióticos e Infecções Urogenitais: Onde Estamos? Na ocasião, Dra. Iara mostrou o funcionamento dos microbiomas (totalidade de micróbios, seus elementos e interações) em mulheres saudáveis, a importância dos lactobacilos dentro desse organismo e a eficácia dos probióticos para o tratamento de infecções - que comprovadamente apresentou uma redução de recidivas. Embora existam alguns estudos, a especialista chama a atenção para a importância de estudar mais a questão dos probióticos, a fim de incluí-los nos tratamentos de infecções. “Há uma necessidade de inovação e isso é olhar com mais atenção para os probióticos”.

Desmistificar o HPV, visto como o principal responsável pelo câncer de colo de útero, foi o mote da palestra: Infecção Genital e Carcinogênese: Sempre o HPV?, ministrada pela Dra. Adriana Bittencourt Campaner. “É muito importante esclarecer e reforçar que 90% das pessoas que contraírem o HPV, vão ter o vírus eliminado”. Esse alerta foi feito para reforçar a importância de se olhar as demais doenças infecciosas, como a clamídia e vaginose bacteriana - que fazem diminuir a imunidade, aumentando a proliferação do vírus HPV. “Uma DST não vem sozinha”, afirma Dra. Adriana.

A higiene genital também esteve em pauta no curso pré-congresso. Rose Luce Gomes do Amaral, Doutora em Tocoginecologia, falou do papel fundamental que a higiene genitália tem na prevenção e controle das doenças vaginais. Segundo a especialista, mais do que um debate da classe médica, essa é uma questão demandada pelas próprias pacientes. “As mulheres querem saber se devem fazer a higiene vaginal e como isso deve ser feito de forma saudável”, destaca.

Para Dra. Amaral, manter o equilíbrio é uma boa decisão. “Uma vagina com má higiene pode apresentar riscos de infecção da mesma forma que a higiene excessivamente feita pode expor esse organismo”, destaca a médica que também relaciona fatores como impactantes para o ecossistema vaginal, como: atividade sexual, alimentação e o próprio ciclo menstrual.