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Síndrome Hiperandrogênica - Hirsutismo
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Ginecologia Endócrina
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CONCEITO
Síndromes
hiperandrogênicas são condições biológicas
nas quais o organismo feminino é invadido por quantidades anormalmente
elevadas de substâncias androgênicas.
Hirsutismo
é o crescimento de pêlos com características masculinas
em zonas naturalmente glabras na mulher. Difere da hipertricose que é
o crescimento exagerado de pêlos terminais em zonas onde os pêlos
existem normalmente, como antebraço, coxas e pernas.

Quadro
1 – Contribuição dos ovários e das supra-renais
aos níveis de androgênios circulantes
ETIOLOGIA
DO HIPERANDROGENISMO
As
principais causas que levam ao hiperandrogenismo são:
- Fisiológicas:
gravidez, climatério (pós-menopáusico).
- Genéticas:
racial, familiar.
- Supra-renais: defeitos
de síntese, síndrome de Cushing, adenoma e carcinoma.
- Ovarianas: anovulação
por retrocontrole impróprio (SOP), hipertecose, tumores produtores
de androgênios.
- Mistas: causas
supra-renais e ovarianas.
- Drogas: minoxidil,
difenil-hidantoína, danazol, gestrinona, estreptomicina.
- Outras causas:
disgenesia gonadal, pseudo-hermafroditismo masculino, hiperprolactinemia,
hiper e hipotireoidismo, acromegalia, obesidade, alterações
hepáticas.
- Idiopática:
aumento da sensibilidade da unidade pilo-sebácea aos androgênios.
FISIOPATOLOGIA
O
hiperandrogenismo leva a bloqueio na maturação folicular
e formação de cistos foliculares e conseqüente insuficiência
lútea por desenvolvimento imperfeito do aparelho folicular. Os
androgênios também influem na unidade córtex cerebral-hipotálamo-hipofisária
tendendo a determinar níveis elevados de LH e níveis normais
ou diminuídos de FSH. As alterações na relação
LH/FSH levam a déficit do sistema enzimático de aromatização
no ovário, com acúmulo de androstenediona e testosterona,
déficit da 3-13-ol-desidrogenase, predominando a deidroepiandrosterona.
No entanto, o bloqueio enzimático não é completo,
havendo variável produção de estrogênios no
ovário, além da conversão periférica de androgênios
em estrogênios.
MANIFESTAÇÕES
CLÍNICAS
Alterações
menstruais tipo oligolamenorréia; ocasionalmente sangramento disfuncional
do endométrio.
- Infertilidade.
- Acne e seborréia.
- Hirsutismo.
- Virilização.
DIAGNÓSTICO
CLÍNICO
A
propedêutica deverá ser iniciada sempre pela anamnese e exame
físico o mais completo possível. Interessam a caracterização
do padrão menstrual e a cronologia do crescimento dos pelos como
a severidade e distribuição dos mesmos (segundo o índice
de Gallwey e Ferriman modificado - Figura 2) bem como sinais concomitantes
de androgenização (como desenvolvimento das massas musculares
e hipertrofia do clitóris).

Figura 2-
Índice de Ferriman e Gallwey
DIAGNÓSTICO
COMPLEMENTAR
Perfil
hormonal (amostras sangüíneas colhidas entre o 5o
e 8o dias do ciclo):
- LH
- FSH
- PRL
- Testosterona
- Androstenediona
- S-DHEA
- 17-OH Progesterona
- TSH
- Cortisol (na suspeita
de Cushing)
As
determinações de FSH, LH e PRL permitem diferenciar anovulação
crônica dos estados hiperprolactinêmicos.
A
presença de níveis plasmáticos elevados de testosterona,
e principalmente se a relação LH/FSH estiver elevada, é
sugestiva de SOP. Níveis plasmáticos elevados de sulfato
de deidroepiandrosterona ou da 17-a -hidroxiprogesterona sugerem o
diagnóstico de hiperandrogenismo suprarenal.
Testes
Dinâmicos
Indica-se
teste de supressão ou estímulo da supra-renal quando houver,
respectivamente, suspeita de defeitos de síntese de supra-renal
ou tumor (ver capítulo Testes Dinâmicos).
Diagnóstico
por Imagem
- Ultra-sonografia
dos ovários e supra-renais.
- Tomografia computadorizada
da supra-renal.
- Ressonância
magnética da supra-renal.
Diagnóstico
Laparoscópico
TRATAMENTO
Tem
como objetivo principal a correção do fator etiológico
e o tratamento do hirsutismo e dos outros sinais de virilização.
Específico
- Tumores: ressecção
cirúrgica.
- Prolactinoma: bromoergocriptina,
lisurida.
- Hipo ou hipertireoidismo:
tratamento específico.
Hiperandrogenismo
de Origem Adrenal
- Prednisona: iniciar
com 5mg/dia VO.
- Reavaliação
pelo quadro clínico e dosagem de S-DHEA e 17-OHP.
Hiperandrogenismo
de Origem Ovariana
Tratamento
específico do hirsutismo:
- Acetato de ciproterona
(CPA) (2mg) + etinilestradiol (0,035mg) - um comprimido ao dia por 21
dias, iniciando no 5o dia do ciclo. Pode ser usado isoladamente
ou associado à dose maior de CPA (12,5 a 50mg/dia) ou espironolactona.
- Acetato de ciproterona
- iniciar com 12,5mg/dia, podendo aumentar gradativamente a dose até
100 mg/dia, do 5o ao 14o dia do ciclo. Como tem
componente progestogênico potente, pode causar atrofia endometrial,
devendo ser usado concomitantemente com um anticoncepcional oral combinado
com estrogênios do 5o ao 24o dia do ciclo
(0,625 mg/dia de estrogênios conjugados ou 2mg/dia de valerato
de estradiol) ou com acetato de ciproterona + etinilestradiol.
- Espironolactona
- iniciar com 25mg/dia, podendo aumentar a dose gradativamente até
200mg/dia. Uso contínuo. Na ocorrência de irregularidades
menstruais deve ser utilizado associado com anticoncepcional oral ou
acetato de ciproterona + etinilestradiol.
- Tratar inicialmente
o hiperandrogenismo e, após, induzir ovulação
com citrato de clomifeno, iniciando com 50mg/dia do quinto ao nono
dia do ciclo (ver capítulo Indução da Ovulação).
Hiperandrogenismo
Misto
- Associação
das drogas anteriormente citadas.
Medidas
Complementares
- No tratamento sintomático
deve-se corrigir ou pelo menos atenuar os sinais decorrentes do hiperandrogenismo.
No hirsutismo faz-se a depilação com eletrocoagulação
ou ceras depilatórias (preferencialmente dois meses após
o início do tratamento medicamentoso).
- Os pêlos
devem ser constantemente descoloridos e enfraquecidos com solução
de óleo Bleaching e água oxigenada 20 volumes em partes
iguais.
- Correção
das alterações da genitália quando necessário.
- Nas pacientes obesas
orientar a perda de peso.
- O tratamento deve
ser prolongado (no mínimo nove meses), devendo-se reavaliar periodicamente
o hirsutismo através do índice de Gallwey e Ferriman modificado.
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