|
Falência Ovariana Prematura
|
Ginecologia Endócrina
|
SINONÍMIA
Falência
ovariana prematura, climatério prematuro, menopausa prematura.
CONCEITO
Falência
ovariana prematura (FOP) é a perda da função gonadal
temporária ou definitiva que acontece após a menarca e antes
dos 40 anos de idade, com níveis elevados de gonadotrofinas.
INCIDÊNCIA
Aceita-se
que seja de aproximadamente 0,9% na população geral e entre
5% a 15% das mulheres com amenorréia secundária.
ETIOLOGIA
Etiologia Genética
- Falência
ovariana prematura familiar.
- Alterações
estruturais ou ausência do cromossoma X.
- Trissomia X com
ou sem mosaicismo.
- Associação
com miotonia distrófica e ataxia telangiectásica.
- Defeitos enzimáticos
(deficiência da 17a hidroxilase, galactosemia).
Agressões
ao Tecido Ovariano
- Radiação
ionizante.
- Agentes quimioterápicos.
- Infecções
virais.
- Tabagismo.
- Ooforectomia ou
ooforoplastia bilateral extensa.
Distúrbios
da Imunidade
- Isolada.
- Associada a outros
distúrbios auto-imunes.
Defeitos Estruturais
ou de Ação das Gonadotrofinas
Secreção
de gonadotrofinas biologicamente inativas.
Defeitos de subunidades
a ou
Defeitos de receptor
ou pós-receptor de gonadotrofinas.
Etiologia Idiopática
DOENÇAS
AUTO-IMUNES
ASSOCIADAS
COM FALÊNCIA OVARIANA PREMATURA
- Alopécia.
- Anemia (hemolítica
adquirida e perniciosa).
- Asma.
- Hepatite crônica
ativa.
- Doença de
Crohn.
- Diabetes meilitus.
- Glomerulonefrite.
- Doença de
Addison.
- Hipoparatiroidismo.
- Purpura trombocitopênica
idiopática.
- Artrite reumatóide
juvenil.
- Ceratoconjuntivite
e síndrome de Sjögren.
- Síndrome
de má absorção.
- Miastenia grave.
- Poliendocrinopatias
(tipo I, tipo II e inespecífica).
- Cirrose biliar
primária.
- Anormalidades quantitativas
de imunoglobulinas.
- Artrite reumatóide.
- Lupus eritematoso
sistêmico.
- Transtornos
da tiróide (tiroidite e doença de Graves).
- Vitiligo.
CLASSIFICAÇÃO
Há
referência na literatura sobre classificação da FOP,
como folicular e afolicular. Atualmente, parece que o estado folicular
pode representar apenas uma etapa intermediária na evolução
da doença para a forma afolicular.
FISIOPATOLOGIA
- Defeitos ocorridos
durante a migração das células germinativas.
- Defeitos na diferenciação
da crista gonadal.
- Aceleração
da atresia folicular.
- Deficiente utilização
das gonadotrofinas.
QUADRO
CLÍNICO
Caracteriza-se por:
- Distúrbios
do padrão menstrual decorrente da hipofunção ovariana
que vai desde o aparecimento de ciclos oligomenorréicos até
a instalação da amenorréia secundária.
- Sintomas vasomotores
(ondas de calor e sudorese).
- Alterações
psicossomáticas: insônia, intolerância ao frio ou
ao calor, irritabilidade e cefaléia.
- Alterações
nos órgãos alvos gonadais e em outras glândulas
endócrinas - atrofia do trato genital, ganho ponderal e, a longo
prazo, osteoporose, arteriosclerose e coronariopatias.
- Sintomatologia
especifica de outras condições clínicas eventualmente
associadas (hipotireoidismo, artrite reumatóide, miastenia
gravis, etc.).
DIAGNÓSTICO
CLÍNICO
Está
fundamentado na anamnese e no exame físico. Impõe-se a avaliação
dos antecedentes familiares e pessoais (consangüinidade, quimioterapia,
radiação, cirurgia, etc.).
No
exame físico, procurar sinais de hipoestrogenismo e de doenças
associadas (hipotireoidismo, micose cutânea, artrite reumatóide,
etc.).
DIAGNÓSTICO
COMPLEMENTAR
- Dosagem de FSH.
- Dosagem de TSH
e tiroxina livre (T4 livre).
- Pesquisa de anticorpos
antitireoidianos, antitireoglobulina, fator antinúcleo (FAN),
fator reumatóide.
- Avaliação
da massa óssea (densitometria).
- Perfil lipídico
e glicemia de jejum.
TRATAMENTO
Pacientes que não
Desejam Engravidar (Tabela 2)
Preconiza-se
a terapia de reposição estro-progestínica à
semelhança da utilizada na menopausa fisiológica, dando-se
preferência ao esquema cíclico (estrogênio contínuo
e progestogênio por 12-14 dias). As doses dos esteróides
utilizados devem ser preferencialmente maiores.
Pacientes que Desejam
Engravidar
Devem
ser encaminhadas para um serviço de reprodução assistida
em função destas mulheres terem a necessidade de tecnologia
adequada.
Tabela
2
Esteróides
sexuais mais utilizados
|
ESTROGÊNIOS*
Estrógeno Equino Conjugado
(EEC)
Valerianato de Estradiol (VE)
17b Estradiol (17b E)
|
DOSE
0,9 a 1,25 mg/d
2,0 mg/d
2,0 mg/d (50 ug ativo)
|
|
PROGESTOGÊNIOS **
Acetato de Medroxiprogesterona (AMP)
Noretisterona
Acetato de Noretisterona
Acetato Nomegestrol
|
5 - 10 mg/d
0,7-1,05 mg/d
2,5 a 5,0 mg/d
2,5 a 5,0 mg/d
|
|
ASSOCIAÇÃO
VE + Acetato de Ciproterona
VE+AMP
EEC + AMP
Estradiol + Acetato Noretisterona
(Trans-dérmico)
* Contínuo
** 12-14dias/mês
|
|
|