SINONÍMIA Tensão pré-menstrual. CONCEITO Conjunto de sintomas e sinais físicos, psicológicos e/ou comportamentais que surgem durante a fase lútea, atenuando ou desaparecendo durante o período menstrual e com intensidade tal que interferem na vida da mulher. Esta síndrome tem como características fundamentais a relação temporal com a menstruação e o caráter repetitivo.
INCIDÊNCIA Trata-se de queixa comum ocorrendo em grande. número de mulheres. Com base em critérios rigorosos, apenas cerca de 5% devem ser caracterizadas como portadoras de síndrome pré-menstrual CLASSIFICAÇÃO
ETIOPATOGENIA Várias têm sido as etiologias propostas para explicar a ocorrência da síndrome em questão. Citam-se: fatores hormonais (estrogênios, progesterona, PRL e androgênios), modificações hidroeletrolíticas (aldosterona, renina-angiotensina), deficiências de vitaminas, alterações dos neurotransmissores centrais e enzimas periféricas. DIAGNÓSTICO É fundamentalmente clínico, baseando-se na anamnese e exame físico geral e exame ginecológico. E importante salientar que para caracterizar a síndrome pré-menstrual o quadro deve apresentar caráter de repetição por mais de três ciclos consecutivos. Os principais sintomas e sinais físicos são: edema, ingurgitamento mamário, mastalgia, ganho de peso, distensão abdominal, cefaléia, fadiga, acne, alterações do hábito intestinal, dor nos membros inferiores, cólicas abdominais. Os sintomas e sinais psicológicos são: irritabilidade, choro fácil, agressividade, ansiedade, depressão, insônia, dificuldades de concentração, alterações da libido, aumento do apetite, predileção por comidas doces ou salgadas, oscilação do humor, letargia, depreciação da auto-imagem, perda do autocontrole, confusão. No exame físico o principal objetivo é o diagnóstico ou a exclusão de doenças orgânicas que possam determinar manifestações semelhantes à da tensão pré-menstrual. EXAMES COMPLEMENTARES Na síndrome pré menstrual exames laboratoriais são indicados para o diagnóstico diferencial de pacientes com suspeita de apresentarem patologias associadas e os exames são indicados de acordo com o provável diagnóstico clínico. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
TRATAMENTO Por ser moléstia de etiopatogenia ainda desconhecida, torna-se evidentemente difícil o tratamento específico. Assim, pode-se dividi-lo em medidas gerais e tratamento medicamentoso. Medidas Gerais O tratamento inicial consiste em tranqüilizar, discutir e orientar a mulher sobre a síndrome em questão. Recomenda-se a prática de esportes, redução da ingestão de sal, açúcar refinado e gordura animal. Tratamento Medicamentoso Deve ser realizado no período sintomatológico, e usar cada droga de acordo com a predominância das manifestações clínicas. Antiinflamatório Não Hormonal Piroxicam (20 a 40 mg em dose única a cada 24 horas), naproxen sódico (250 mg, 8/8 horas). Hormônios Os contraceptivos hormonais orais combinados oferecem resultados satisfatórios. A progesterona está indicada quando comprovar sua deficiência. Entre os progestogênios, os mais utilizados são: medroxiprogesterona (10mg/dia, nos últimos dez dias do ciclo), noretindrone (10mg/dia, na fase lútea). Quando houver hiperprolactinemia: bromoergocriptina (2,5mg/dia, nos últimos dez dias do ciclo) ou lisuride (0,2mg/dia, na fase lútea). Vitaminas Entre estas, a vitamina B6 na dose de 100 a 600mg/dia, mostra-se efetiva nas diferentes formas de tensão pré-menstrual. A vitamina E na dose de 2OOmg'dia oferece bons resultados no controle da mastalgia e acne. Diuréticos A bendroflumetiazida na dose de 2,5mg/dia, durante a fase lútea ou a espironolactona 50 a 100mg/dia, também na fase lútea, costumam controlar satisfatoriamente as manifestações decorrentes da retenção hidrossalina. Drogas Psicoativas A flufenazina (1mg/dia na fase lútea), fluoxetine (20mg/dia) ou alprazolam (0,25mg 8/8 horas), permitem o controle das manifestações psíquicas e emocionais. Quando possível, solicitar a colaboração de profissional especializado. Associação de Drogas Quando as manifestações forem polimorfas pode-se associar as drogas acima referidas. Efeitos Colaterais O tratamento adequado da síndrome pré-menstrual, utilizando-se o menor número de drogas e em doses adequadas, praticamente não oferece efeitos colaterais. Contudo, para cada droga em uso deve-se ter em mente as possíveis reações adversas. PROGNÓSTICO A causa mais comum de falha terapêutica é o diagnóstico incorreto da síndrome pré-menstrual. Considerando o diagnóstico diferencial correto, cerca de 80% das pacientes com a síndrome em questão experimentam longo tempo de alívio sintomatológico com quaisquer dos tratamentos indicados. No entanto, muitos trabalhos ainda devem ser desenvolvidos, para o melhor conhecimento e controle desta síndrome.
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