CONCEITO A síndrome desenvolve-se na fase pós-ovulatória de um ciclo induzido. Compreende uma série de complicações potencialmente graves, caracterizadas por formação de múltiplos cistos ovarianos, associada ao aumento da permeabilidade capilar, que traz como conseqüência formação de ascite e hidrotórax, distúrbio hidroeletrolítico, hemoconcentração, distensão abdominal, náuseas, vômitos e diarréia. Nos casos mais severos sobrevem a hipovolemia, oligúria e fenômenos tromboembólicos. CLASSIFICAÇÃO Forma Leve Grau 1 Distensão abdominal e desconforto. Grau 2 Os achados de grau 1 associados a náuseas, vômitos ou diarréia, tamanho ovariano entre 5 a 12 cm. Forma Moderada Grau 3 Os achados do grau 2 associados a ascite evidenciada por ultra-sonografia. Forma Grave Grau 4 Achados do grau 3 associados a evidência clínica de ascite ou hidrotórax ou comprometimento respiratório. Forma Grave Grau 5 Achados acima associados a hipovolemia, hemoconcentração, anormalidades de coagulação ou diminuição de perfusão e função renal.
INCIDÊNCIA É rara em usuárias do citrato de clomifeno (CC) (de 2,5 a 5,9%), tendo maior incidência nas portadoras de ovários policísticos. É comumente encontrada quando do emprego de gonadotrofinas, associadas ou não com o emprego dos análogos com a finalidade de induzir ou provocar poliovulação nos programas de fertilização assistida.
FISIOPATOLOGIA Pacientes que estão em uso de indutores de ovulação, principalmente as que usam gonadotrofinas (hMG ou similares), podem ter uma resposta exagerada de crescimento folicular. A administração de gonadotrofina coriônica (hCG) nessas pacientes pode desencadear a síndrome, embora a mesma possa ocorrer raramente apenas com a hCG endógena. Até 1995, o mecanismo básico proposto seria: hiperfunção das células granulosas luteinizadas, com conseqüente descarga sangüínea exagerada de estradiol e de componentes do sistema renina angiotensina (SRA). Até essa época, admitia-se que esses dois componentes pudessem ocasionar dilatação vascular anormal. Entretanto, com a aparente comprovação de que o fator de permeabilidade vascular é o principal agente causal dessa síndrome, poderemos ter a esperança de eficientes agentes terapêuticos no futuro. FATORES DE RISCO
PREVENÇÃO (ESQUEMA 6) Indução com Hormônio Folículo Estimulante (FSH) Puro em Baixas Doses para Hiper-respondedoras Prévias Indução nas quais houve Resposta Excessiva
Esquema 6.
Prescrever hCG com as Seguintes Alternativas
NOTA - Ressaltamos que o emprego da albumina ainda merece um estudo controlado sobre a sua eficácia.
TRATAMENTO Os sintomas da SHO são vistos do 30 ao 130 dia após a administração do hCG e, na ausência de gravidez, tende a se resolver espontaneamente dentro de 7 a 14 dias, embora a redução do volume ovariano leve mais tempo para voltar ao normal. A não redução dos ovários em quatro semanas deve levar os ginecologistas a pensar em associação de doença tumoral ovariana, especialmente quando houver componente sólido no aumento volumétrico do órgão. Como medidas gerais no tratamento da SHO destacamos: Prevenir a torção dos ovários, evitando-se os exames físicos pélvicos e abdominais e as atividades físicas que potencialmente promovam a rotação da gônada em torno do seu próprio eixo. Intervenção cirúrgica deve ser indicada na presença da torção do anexo ou na presença de hemoperitônio. Anexectomia deve ser considerada em casos especiais. As formas leves podem ser controladas ambulatorialmente, tendo sempre o cuidado de diagnosticar a gravidez através de ensaios sensíveis para b -hCG e a realização de ecografias seriadas para estimar as medidas dos ovários, bem como evidenciar a formação de ascite. A paciente também deve ser instruída a se pesar duas vezes ao dia e a se manter em repouso.
Esquema 7 A SHO constitui uma situação em que a prevenção ainda é a melhor conduta. |